Após se formar na faculdade, jovem com paralisia cerebral sonha com 1° emprego e quer constituir família

12 de maio de 2019

Juliano Guerreiro Peinado, de 22 anos, driblou as dificuldades para se formar em Rádio, TV e Internet. Jovem namora Samara Andressa Dele Monte há quase dois anos.

Juliano e Samara namoram há dois anos e sonham em se casar — Foto: Juliano Guerreiro Peinado/Arquivo pessoal.

Depois de ter sido ovacionado ao receber o diploma de bacharel do curso de Rádio, TV e Internet de uma faculdade de Campo Limpo Paulista (SP), Juliano Guerreiro Peinado, de 22 anos – que devido a uma paralisia cerebral é deficiente físico e não fala -, agora sonha em conquistar também uma vaga no mercado de trabalho.

Como ele namora há quase dois anos com Samara Andressa Dele Monte, a ideia é que, a partir do emprego, ele possa constituir família e, assim, realizar outro sonho.

Em entrevista ao G1, a mãe do recém-formado, a professora Isabel Cristina Costa, conta que, como profissional, o filho sonha em trabalhar com filmagem, direção ou edição de imagens.

“Ele só precisa de uma oportunidade, porque competência e determinação ele tem de sobra”, garante.

A mãe ainda conta que o relacionamento do casal começou por meio de uma amiga em comum, que inicialmente os apresentou virtualmente. Os dois começaram a conversar diariamente até que marcaram o primeiro encontro. Desde então, nunca mais se separaram.

Para ir em busca de mais um sonho, Juliano não perdeu tempo e já montou um currículo. Ele tem feito questão de distribuir para o maior número possível de pessoas e até utiliza as redes sociais para encontrar uma oportunidade.

“Ela já fala em casamento e filhos. Eles querem construir um ‘puxadinho’ no nosso quintal para morar, mas dissemos que só quando tiver emprego”, explica Isabel que, apesar de ser firme com o filho, está ansiosa para ser avó.

Juliano ao lado dos pais, Isabel e Maurício, durante a colação de grau em Campo Limpo Paulista — Foto: Juliano Guerreiro Peinado/Arquivo pessoal.

Lidando com as emoções

Mesmo após alguns dias da formatura do filho, Isabel ainda tenta lidar com as emoções que afloraram com a conquista do diploma. Segundo ela, um filme passou pela sua cabeça no momento em que viu o filho segurando o canudo.

Afinal, quando Juliano estava prestes a nascer, ele sofreu uma paralisia cerebral provocada por falta de oxigênio. Devido a isso, os médicos garantiram a ela e ao pai de Juliano, Maurício Rodrigues Peinado, que, se o menino sobrevivesse, teria apenas uma vida vegetativa.

“Mas, em uma madrugada, eu acordei com ele me olhando como se dissesse: ‘Oi, vamos brincar?’ Então, soubemos que nosso filho estava vivíssimo e que ficaria conosco.”

Desde os primeiros meses, os médicos já indicaram à família o uso de cadeiras de rodas por causa da deficiência motora. Depois, foram descobertas que regiões do cérebro foram afetadas pela falta de oxigênio e que, assim, Juliano não apresentaria nunca uma fala convencional.

Estudante fez questão de frequentar assiduamente todas as aulas da grade curricular — Foto: Divulgação/Unifaccamp.

Mesmo assim, o garoto teve uma vida muito próxima do normal cognitivamente, segundo os pais. Teve brinquedos que brincava com os pés, ia a parques, cinemas, teatros, shows, tinha bicicleta adaptada e frequentou a escola a partir dos 3 anos. A família fazia de tudo para ele ser o mais normal, dentro das suas possibilidades.

Tanto que ele foi alfabetizado aos 7 anos e, a partir daí, a sua dificuldade de comunicação diminuiu muito. “Para nos comunicarmos com ele, vamos soletrando até que ele balance a cabeça afirmativamente. Então, é só ir montando as palavras e frases ou, quando está no computador, é só ele digitar com os pés”, explica mãe.

No dia da formatura na faculdade, Juliano já esperava que os amigos torcessem por ele, mas não daquela forma, com todos em pé, o aplaudindo com muitos gritos e assobios. Ao lembrar deste momento, Isabel ainda sente dificuldade em controlar as emoções (veja o vídeo acima).

“Imagine uma família que recebeu um diagnóstico no nascimento do filho, de que se ele sobrevivesse, ficaria apenas ligado a aparelhos, vegetando. Então você percebe que por trás de toda a deficiência que te mostravam tinha um ser humano incrível, batalhador, amoroso, divertidíssimo e, acima de tudo, apaixonado pela vida. Nosso sentimento foi de uma alegria incomensurável. Chorei de alegria como nunca tinha chorado na minha vida.”

Isabel garante que toda a família está profundamente emocionada pela lição de vida que Juliano deu para todos ao vencer tantos obstáculos e de uma maneira bem humorada.

“Passou um filme em nossa cabeça de todo o seu percurso escolar, de todas as dificuldades, mas também de todos os profissionais e colegas que o acolheram, ajudaram e o incentivaram a seguir em frente. É um sentimento de gratidão: a Deus por ter nos presenteado com este filho tão maravilhoso, à comunidade escolar e, principalmente a ele, por ser nosso enorme professor de amor à vida e superação de limites”, finaliza.

Jovem que sofreu paralisia cerebral ao nascer é ovacionado ao receber diploma da faculdade — Foto: Divulgação/Unifaccamp.

 

 

Extraído de: G1.


CEBID – Centro de Estudos em Biodireito

Samuel Júnior

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