Vírus HIV é removido pela primeira vez do genoma de animais vivos

18 de julho de 2019

Descoberta de cientistas americanos traz esperança para tratamento da Aids, mas pesquisadores alertam que técnicas ainda serão testadas em humanos.

Homem faz teste gratuito de HIV durante a parada LGBT do Harlem, em Nova York, em junho Foto: Kena Betancur / AFP.

RIO — Um estudo divulgado nesta terça-feira pela revista científica americana “Nature” revelou que pesquisadores dos Estados Unidos conseguiram remover pela primeira vez o vírus HIV do genoma de animais vivos. A iniciativa, conduzida por cientistas da Escola de Medicina da Universidade Temple, na Pensilvânia, e do Centro Médico da Universidade de Nebraska, envolveu técnicas de edição de genes e representa um caminho promissor para a cura da Aids.

Segundo os cientistas responsáveis pelo estudo, o tratamento teve êxito a partir da combinação de duas ferramentas. A primeira delas, chamada de Laser Art, consiste na manipulação de remédios convencionais de tratamentos antirretrovirais, de modo a facilitar o acesso do conteúdo dessas drogas às membranas das células, onde o vírus costuma se isolar, e a retardar a dispersão desse material, garantindo que o material acompanhe o ciclo do HIV. Remédios comuns, por sua vez, têm curta duração e exigem dosagem diária.

A segunda técnica, batizada de Crispr, edita os genes das células infectadas com o vírus que não foram captadas pelo Laser Art para remover o HIV. Isoladamente, os tratamentos não surtiram o efeito esperado mas, quando combinados, o vírus foi eliminado em 30% dos 29 ratos usados na pesquisa. Em entrevista à rede americana “CNN”, Kamel Khalili, um dos líderes da pesquisa, afirmou que as descobertas representam apenas um primeiro passo para a cura. Uma das premissas do trabalho, segundo ele, foi tratar a Aids como uma doença genética, e não infecciosa.

Ao contrário dos atuais tratamentos antirretrovirais, que impedem a replicação do vírus, mas não o eliminam do organismo, os resultados obtidos pela pesquisa apontaram de maneira inédita para a possibilidade da doença ser curada. Os testes foram realizados em ratos de laboratório. A segunda fases, segundo os autores do estudo, está sendo realizada com primatas. Caso se mostre novamente bem-sucedido, o processo poderá ser repetido em humanos.

Os cientistas também inseriram células imunológicas dos animais tratados em ratos saudáveis para garantir que todos os resquícios do HIV tinham sido eliminados. Os testes não identificaram o vírus, confirmando a tese da pesquisa. Na segunda fase, a avaliação dos primatas deve demorar cerca de nove meses para que os pesquisadores se certifiquem, cientificamente, se o vírus foi definitivamente eliminado de seus genomas.

 

 

Extraído de: Senado.


CEBID – Centro de Estudos em Biodireito

Samuel Júnior

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