Casal que estava junto há 66 anos decide cometer suicídio no mesmo dia

24 de março de 2018

Casal que estava junto há 66 anos decide cometer suicídio legal no mesmo dia. Eles foram assistidos pela lei ‘Morte com Dignidade’, do estado de Oregon, nos EUA, e permitiram que todas as suas conversas e preparação até o dia da morte fossem documentados.

Imagens do casal Charlie e Francie Emerick. Eles cometeram suicídio assistido no mesmo dia após uma união de 66 anos.

A história do casal que cometeu suicídio assistido no mesmo dia foi revelada em detalhes nesta semana pela revista norte-americana TIME Magazine.

Charlie e Francie Emerick moravam em Portland, no estado de Oregon, nos EUA, e estavam juntos há 66 anos. Doentes terminais, eles optaram por receber doses letais de medicação com base na lei estadual ‘Morte com Dignidade’.

Em duas décadas, desde que o estado de Oregon se tornou o primeiro dos Estados Unidos a legalizar a assistência para morrer, quase 1.300 pessoas morreram depois de obterem prescrição letal.

Francie, de 88 anos, foi a primeira a morrer, apenas 15 minutos depois de receber a medicação. Charlie, de 87 anos, morreu uma hora depois. Ele lutava contra um câncer câncer de próstata e a doença de Parkinson, diagnosticada em 2012.

“Eles não tinham arrependimentos, nenhum negócio inacabado”, disse Sher Safran, 62, uma das três filhas do casal. “Foi como se soubéssemos que já era o tempo deles e o fato de estar juntos, significou muito”, explicou.

Familiares revelam ainda que eles ficaram muito aliviados quando souberam que tinham a opção do suicídio assistido, já que o estado de saúde de ambos só piorava — o que acarretava em aumento de sofrimento.

“Eles sempre quiseram isso e tiveram assistência”, explicou a outra filha do casal, Jerilyn Marler, 66 anos, que era a principal acompanhante de ambos nos últimos anos. “Se houvesse uma maneira de gerenciar suas próprias mortes, eles fariam isso”, ressaltou.

Charlie e Francie permitiram que a filha Safran e seu marido, Rob, documentassem e filmassem suas conversas e toda preparação que teriam e fariam até o dia da morte.

Morte documentada

Charlie e Francie permitiram que a filha Safran e seu marido, Rob, documentassem e filmassem suas conversas e toda preparação que teriam e fariam até o dia da morte.

Inicialmente seria uma lembrança para a família, mas entenderam que seria importante comunicar o fato e finalmente decidiram que as imagens e filme poderiam ser editados para serem compartilhados.

O resultado é o documentário “Living & Dying: A Love Story” (Vida e Morte: uma história de amor), que detalha os momentos antes da decisão final do casal Emericks e sua determinação em optar pela morte assistida.

De acordo com familiares, o grande objetivo do casal era de “ajudar as pessoas a mudar a forma como pensam em morrer”, explicou Safran, permitindo que outras pessoas compartilhem os momentos íntimos e privados e, às vezes, até clandestinos que levam ao suicídio assistido.

Suicídio assistido

Embora seja uma prática cada vez mais legal e comum nos EUA, o suicídio assistido continua sendo um mistério para muitos, que desconhecem totalmente como tudo acontece.

Os planos e a decisão final do casal foi contada apenas a seus familiares e médicos. “Achei extremamente corajoso e bonito”, disse Carol Knowles, 70, em depoimento no documentário.

Ela era amiga de Francine em um clube de livros, do qual participavam. “É possível ver e entender todo o cuidado que Charlie e Francie tiveram ao tomarem essa decisão”.

Charlie e Francie

Os Emericks se conheceram quando ainda eram estudantes universitários em Nebraska. No dia 4 de abril de 1951 se casaram e passaram anos na década de 1960 como médicos missionários na cidade de Miraj, na Índia.

A carreira de Charlie os levou ao sul da Califórnia e depois ao estado de Washington, à Índia e, finalmente, ao Oregon, onde ele tornou-se chefe em um hospital local. Eles tiveram três filhas.

Anos depois, em 2004, eles se mudaram para um apartamento em uma comunidade na cidade de Portland, no estado de Oregon.

Foi aí que os Emericks decidiram morrer, em uma quinta-feira nublada, na primavera passada, seis dias depois de uma festa familiar que incluiu suas três filhas e netos – e, a pedido de Francie, muita cerveja. O encontro foi feliz, mas agridoce, disseram membros da família. Houve momentos em que expressaram grande tristeza ao adeus que estava chegando.

Charlie foi diagnosticado com Parkinson em 2012, depois de lidar com sintomas da doença há anos. Ele também sofria de câncer de próstata e problemas cardíacos. No início de 2017 soube que seu estado era grave e ouviu de seu médico que teria apenas seis meses ou menos de vida.

No documentário, ele descreveu seus pensamentos enquanto ponderava pela escolha de ter, enfim, uma morte assistida. “Charlie, você vai piorar e piorar”, ele explicou a Safran, com uma voz tremendo. “A decisão de morrer não pode ser pior do que isso”, chegou a dizer.

Charlie e Francie passaram uma vida juntos.

Extraído de: Pragmatismo Político.


CEBID – Centro de Estudos em Biodireito

Samuel Júnior

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