Após 8 horas de cirurgia, siamesas unidas pela cabeça são levadas à UTI do Hospital das Clínicas em Ribeirão Preto

10 de agosto de 2018

Terceira etapa de separação de veias, artérias e cérebro ‘transcorreu conforme o planejamento’. Gêmeas, de 2 anos, ainda serão submetidas a duas operações até a separação total de corpos.

Hospital das Clínicas no campus da USP em Ribeirão Preto (Foto: Rodolfo Tiengo/G1)

A terceira fase de separação das gêmeas siamesas unidas pela cabeça foi concluída após oito horas de cirurgia, por volta de 15h30 deste sábado (4), no Hospital das Clínicas da USP em Ribeirão Preto (SP). As meninas estão na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e o quadro é considerado estável.

Em nota, o hospital informou que 30 profissionais participaram da operação, sendo sete neurocirurgiões, três cirurgiões plásticos, cinco anestesistas, oito enfermeiros e um tecnólogo, além do diretor do centro cirúrgico.

“O planejamento cirúrgico transcorreu conforme o planejamento. As crianças estão respondendo bem e seguem para a Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica”, diz o comunicado.

Como nas duas etapas anteriores, a equipe separou veias, artérias e parte do cérebro das irmãs, que continuam unidas pelo crânio. A separação total só deve ocorrer em novembro.

Protótipos desenvolvidos por equipe para separação de gêmeas siamesas em Ribeirão Preto (Foto: Rodolfo Tiengo/G1/Arquivo)

Antes disso, as siamesas devem passar por outra cirurgia, ainda sem data prevista, em que serão colocados expansores de pele.

O neurocirurgião Eduardo Jucá explicou que esse procedimento realizado pela equipe de cirurgia plástica vai fazer com que a pele ganhe elasticidade, para garantir a cobertura dos crânios ao final da separação.

Médicos e enfermeiros atuam na primeira cirurgia de separação das gêmeas siamesas em Ribeirão Preto (Foto: HC-FMRP/Divulgação)

Os detalhes da operação realizada neste sábado serão informados em coletiva de imprensa agendada para segunda-feira (6), quando também serão divulgadas fotos da cirurgia.

A família das gêmeas, que é de Patacas, distrito de Aquiraz (CE), está morando temporariamente no campus da USP, já que não são recomendadas viagens durante o processo de separação.

Cirurgias

As siamesas cearenses são acompanhadas há mais de um ano no interior de São Paulo pela equipe liderada pelos professores Hé­lio Rubens Machado e Jayme Farina Junior, e que conta com o cirurgião norte-americano James Goodrich, referência mundial no assunto.

Após uma análise aprofundada, a equipe concluiu que era possível realizar a separação das gêmeas. Mas, seriam necessárias diversas cirurgias. Em cada uma delas, os médicos iriam abrir uma parte diferente do crânio e separar os vasos sanguíneos interligados.

Para facilitar a logística, o casal se mudou em janeiro deste ano para Ribeirão Preto. A família passou a viver provisoriamente nos fundos de uma casa usada pelo Grupo de Apoio ao Transplantado de Medula Óssea (Gatmo), dentro do campus da USP.

A primeira operação ocorreu em 17 de fevereiro e durou cerca de sete horas. A segunda cirurgia, em 19 de maio, teve duração de oito horas. Segundo os médicos, as meninas se alimentam, respiram, se comunicam e têm desenvolvimento normal, como qualquer criança da idade delas.

Siamesas unidas pela cabeça passam por separação no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (Foto: Diego Farias/Arquivo Pessoal)

 

Extraído de: G1.


CEBID – Centro de Estudos em Biodireito

Samuel Júnior

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