Religião na América Central não deixa as crianças estudarem ou irem ao médico

16 de outubro de 2015


Uma religião polêmica praticada na América Central está deixando o governo de Nicarágua sem saber o que fazer. No vilarejo de El Viejo, próximo à cidade de Chinandega, não é permitido que as crianças estudem ou possam ir ao médico, e esse tipo de atitude pode causar graves problemas na comunidade.
Vilarejo de El Viejo, Nicarágua. (Reprodução/El Nuevo Diario)Vilarejo de El Viejo, Nicarágua. (Reprodução/El Nuevo Diario)
Os quase 650 integrantes da religião “O corpo místico de Cristo” aguardam o “arrebatamento” – evento narrado na Bíblia no qual, depois do apocalipse, as pessoas subiriam ao céu para se encontrar com Deus. A história desse povo foi contada no jornal nicaraguense El Nuevo Diario, que se refere aos rituais como uma verdadeira “seita”.
“Há ali mais de 600 pessoas, muitos adolescentes e crianças em estado vulnerável e todas amontoadas”, disse a jornalista Carol Munguía, responsável pela reportagem, em entrevista ao site da BBC.
Na vila, os 11 pastores moram nas casas em melhores condições, feitas de cimento. Em seus aposentos, os líderes possuem computadores e até acesso à internet. “Os outros, amontoados, vivem em cabanas feitas com folha de palmeira, plástico e madeira. Eles dormem em redes, a cerca de um metro e meio de distância”, contou.
Relação da população com os pastores é polêmica. (Reprodução/El Nuevo Diario)Relação da população com os pastores é polêmica. (Reprodução/El …
Além das condições de moradia, a custódia e saúde das crianças é motivo de preocupação para o governo de Nicarágua. Muitos dos pequenos sofrem com doenças infecciosas comuns em jovens, como a catapora, mas os adultos não permitem que médicos os examinem. O presidente Daniel Ortega chegou a enviar Brigadas Médicas ao local, mas a medida foi em vão.
“Existe o perigo de que haja um surto epidemiológico. Mas eles insistem que têm um único salvador: Jesus”, acrescentou Munguía.
Coordenadora do Conselho de Comunicação e Cidadania e primeira-dama da Nicarágua, Rosario Murillo frisou que as crianças têm direito a educação, saúde e uma família. “Não conseguimos convecê-los da necessidade de que essas crianças sejam atendidas”, afirmou. “Essa lei tem que ser respeitada.”
De acordo com a reportagem da BBC, as mais de 600 pessoas que moram em El Viejo – oriundas também de países próximos como El Salvador, Honduras e Guatemala – venderam todos os seus bens, que agora são administrados pelos pastores.
Depois de um deles, Javier Sánchez, ter sido preso recentemente tentando voltar de Honduras na companhia de parentes e outros “sacerdotes”, o governo do presidente Daniel Ortega estuda realizar uma intervenção na região em breve.
—————————————————————————–
CEBID – Centro de Estudos em Biodireito

Equipe Cebid

Centro de Estudos em Biodireito
Receba novidades por email